quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Somos meros contribuintes!

O tempo passa/O tempo voa”, certamente você já ouviu esses versos antes. Há anos atrás ele fazia parte de um anúncio de um Banco, que tentava “vender” a falsa idéia de que tudo (inclusive o dinheiro!) é imune à ação do tempo. No meu caso, só precisei de menos de um mês para me convencer do contrário. Durante esses dias, fui “abduzida” por um processo de pós – operatório que me roubou a saúde, a paz e a boa impressão que tinha do atendimento médico/ hospitalar oferecido pela rede pública....
Tudo começou com uma cirurgia para a extração de dentes sisos, no Hospital Pedro Ernesto. Na ocasião, logo me apressei em agradecer no “Bate e rebate” a suposta qualidade do atendimento que havia recebido. Dessa forma, incentivei pessoas a procurarem aquele serviço. Por uma questão de responsabilidade e cidadania, venho contar o "outro lado da história".
Tudo parecia bem quando um inchaço me tomou o lado esquerdo do rosto. Voltei ao Pedro Ernesto e “descobri” que minhas gengivas tinham se transformado em bolsas infeccionadas pelos resíduos de alimentos – os dois lados da parte inferior foram rasgados durante a cirurgia e nenhum médico se deu ao trabalho de me avisar, recomendar higiene mais cuidadosa e – pasmem: nem mesmo prescrever os tradicionais antibióticos! Entrei e saí de um processo cirúrgico contando apenas com o apoio de anti – inflamatórios...
Uma dentista e amiga explicou que os antibióticos só são adotados como uma medida de precaução. Um cuidado a mais. Portanto, os tais remédios não são imprescindíveis e sua ausência no pré e pós - operatório não configuram negligência ou tratamento inadequado. Mas, o que dizer do (mal)trato que receberam as gengivas? Adoraria manter os bons adjetivos que destinei ao Serviço do Pedro Ernesto e sua equipe mas, não posso...Incorreria no tal erro de “irresponsabilidade” e “negligência” se não tornasse público as recomendações médicas que recebi, no mesmo Pedro Ernesto, diante do “edema” (o inchaço de que falei antes). A médica responsável pela minha cirurgia suspendeu todos os medicamentos (inclusive os analgésicos!!) e só me pediu para limpar o interior das gengivas com soro fisiológico e Periogard.
Sucumbi à dor e fui parar numa emergência de hospital, em pleno sábado à noite... Enfraquecida, desenvolvi infecção urinária e ainda estou submetida ao tratamento para “zerar” mais uma consequência de um atendimento “torto”.
O ponto alto dessa novela não foi urinar sangue, ter o sono roubado pelas dores e até fazer uma curetagem na gengiva para evitar que a infecção (das gengivas) se expandisse para o osso do maxilar. O mais triste foi pensar que coisas piores acontecem com gente humilde, sem qualquer recurso para se “virar” numa hora dessas.
Foi humilhante demais reconhecer que o pai de uma das minhas sócias está cheio de razão quando esbraveja: “Não somos cidadãos, somos meros contribuintes!”

8 comentários:

CynCynPapier disse...

Oiii ! Você foi muito corajosa e colocou sua vida em perigo. Eu, sinceramente, não acredito em hospital público. Acho que nunca vi nada que me fizesse pensar ao contrário. Você serve para mais um exemplo para meu pensamento.
Os mais humildes, menos preparados $$$$ sofrem. A ignorância também mata muita gente. Tenhamos o seu caso como alerta e façamos nossa poupança para não precisar da saúde pública do Estado/Municipio. Estão falidos. É triste. É cruel demais, mas, verdade é esta. Parabéns pela coragem em apostar, ou, pela sua necessidade, né? Melhoras ! Sucesso !

Bel disse...

Raquel, a sua atitude cidadã foi louvável, porém com ressalva: já vivi situações muito tristes -uma inclusive levando ao óbito de minha mãe -por causa da falta de humanidade no tratamento médico em um hospital particular. Nesta ocasião, o primeiro atendimento foi extremamente competente no hospital Getúlio Vargas, onde tudo indicava a amputação da perna dela e graças à cirurgia prestada não foi necessária a mutilação. O problema são os profissionais "Médicos de chopadas", que as escolas lançam no mercado...

Murilo Ribeiro disse...

Lindona, torço para que fique bem logo. E, sim, é realmente duro admitir que o sistema público de saúde, em vez de oferecer amparo ao cidadão, tem se tornado uma ameaça nos últimos tempos...
Bjão e se cuida!

Daniele Villela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniele Villela disse...

Nossa querida! Não imaginava que este tempo que andou sumida tinha sofrido tanto com isso tudo! Eu já fiz cirurgia dos sisos, em posto de saúde odontológico, mas no interior do Rio, Resende. Na época pensei... poxa vida vou fazer cirurgia na rede pública.. Mas eu não tinha outra saída. Minha sorte foi que correu tudo bem e tive um inchaço normal sem hemorragias. Não foram os 4 de uma vez... Foram 3 cirurgias, tomei antibiótico e anti-inflamatório. Eles foram bem cuidadosos. Mas vejo que no Rio de Janeiro infelizmente as coisas são diferentes. Hoje Graças a Deus tenho plano de saúde, pois não podemos depender deste sistema público de saúde. Se cuida heim! Tudo de bom. bjs

Rodrigo Caixeta disse...

Estou chocado com o resultado dessa cirurgia! O que mais revolta é que nossa contribuição aos cofres públicos é equiparada à de países de primeiro mundo, mas o nosso sistema não corresponde sequer ao que deveríamos ter de fato. Mais do que um desabafo, o seu post deve servir como estímulo para aqueles que não dão voz à sua dor e são tão vítimas quanto você de um atendimento precário na rede pública. Torço para que a repercussão não se limite ao mundo virtual, mas possa também atingir as ondas da grande mídia. Bjão

Flavia Werlang disse...

Amiga, acho que te disse que depois de arrancar o siso meu tio me passou antibiótico (Keflex, acho, na época!)... Não sabia que estava sem... Poxa... Quero você boa!!! Adoro-te!!

Ananias Duarte disse...

Putz; e eu que pessava de ser contribuinte era uma forma de ser cidadão. Rápida e real recuperação. Afinal, no final tudo termina bem.
bjs