sábado, 13 de setembro de 2008

Toda certeza é burra

Este ano resolvi não comemorar meu aniversário pois entendi que promover festas , reuniões, comilanças e mobilizar a família e amigos em torno disso era um sinal de vaidade infantil...Durante os meses que antecediam a data, conversei com a minha família – sobretudo com minha mãe, tentando revertê-la de fazer qualquer comemoração. Meus argumentos se dedicavam a convencê-la de que não havia qualquer sentido em chamar fulano e beltrano para um almoço por conta da data, pois eu não via razões para comemorar... Vale lembrar que minha decisão não tinha relação com qualquer tristeza. Eu, simplesmente, estava convicta de que comemorar aniversário refletia, na verdade, uma necessidade de sentir paparicado e ser insensado, portanto, uma vaidade infantil da qual eu havia me livrado.
No entanto, algumas pessoas me deram argumentos muito práticos no sentido contrário. O primeiro deles dava conta da importância quase fenomenal de escaparmos ilesos ao cotidiano de guerra das grandes cidades. Portanto, cada ano de vida representa uma vitória de resistência contra a violência urbana. De fato, para quem vive em uma cidade como o Rio de Janeiro, isso é incontestável... Além disso, comemorações de aniversário são mais um pretexto para reunir amigos e parentes queridos que vemos pouco ou muito, mas que independente de qualquer coisa, amamos. Por fim, lembrei que a ocasião do aniversário é um momento perfeito para mergulhar na esbórnia. Tem coisa melhor?!
Nem preciso dizer que a minha consciência de desapego foi para o inferno... O que aconteceu foi o inverso do programado e bem antes do bendito aniversário lá estava eu arquitetando planos e criando mil situações para enfiar o pé na jaca. No fim das contas as comemorações começaram um dia antes e renderam por quase duas semanas... Comemorei entre familiares, sócias, amigas, colegas, assessorados. Fiz reunião em casa, em restaurante, no samba, na noitada e todas as circunstâncias possíveis.
Depois da overdose, o que ficou foram os quilos a mais (comi horrores), as lembranças dos momentos divertidos, os gestos de carinho, os presentes e sobretudo a clareza de que toda a “certeza” é frágil. Tudo o que é categórico esconde uma vulnerabilidade essencial, como se na verdade fosse forte porque é fraco, contundente porque é vazio, pesado porque é leve e intenso por ser rarefeito.

Nenhum comentário: